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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Discriminação ainda é realidade de negros e negras de Mato Grosso



Sindicato dos Bancários apresenta relatos de pessoas que sofreram preconceitos raciais

Apesar do dia da abolição da Escravidão no Brasil ter sido comemorada no dia 13 de maio, a realidade faz com que a sociedade continue esta reflexão todos os dias. O preconceito com as pessoas negras é um fato vergonhoso no Brasil e por isso, deve ser combatido. Para os que não admitem o preconceito contra os negros e negras, alguns relatos exemplificam uma realidade que deve ser modificada urgentemente.

Jackeline Silva é exemplo de pessoas que recebem tratamento diferenciado por ser negra. Ao entrar em uma agência bancária, a primeira reação se explicita logo na entrada. “Sinto que sou observada dos pés a cabeça, com se estivesse passando por um Raio X na porta do banco. Outra coisa que observo é a publicidade que quando aparece a imagem de um negro, ele está lá no final, quase imperceptível”.

A jovem Jackeline, que é presidente do Instituto de Mulheres Negras (IMUNE – MT) observa que o pior de tudo é que o preconceito está em todos os lugares. Ela faz parte de uma iniciativa que trabalha a valorização dos negros e o combate ao preconceito. “Sei dos meios direitos e passamos para as outras pessoas que todo direito deve ser respeitado. Atuamos em todo Estado e mostramos que o negro deve lutar por seus direitos, pela ascensão no emprego, por mais conquistas”, afirma.

Com o objetivo de combater a discriminação e abolir o preconceito com mais contratações de negros e negras, que o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB-MT) se mobilizou em um dia de luta nacional, 13 de maio, para discutir com a população acerca da atuação do negro na sociedade, sobretudo nos bancos, e a necessidade de mais contratações nas agências bancárias como sinal de igualdade.

“Fui questionado sobre o porquê do ato por mais contratações de negros e negras sendo que há concursos públicos para trabalhar nos bancos. Observei que isso ocorre nos bancos públicos, mas nos privados o preconceito é explicito nos critérios de avaliação. Sem falar que quando o negro ou negra é um servidor púbico bancário, as dificuldades para obter ascensão na carreira são maiores, e isso também ocorre no setor privado. Há casos em que nem todos os bancários são informados sobre promoções internas no banco”, observa o presidente do SEEB-MT, Arilson da Silva.

Bancários

Um bancário de Cuiabá de um banco privado afirma que não se sente discriminado no ambiente de trabalho e que o cargo que exerce foi conquistado em razão da sua competência profissional. Mas ele confessa que já passou por muitas situações de preconceito em outros ambientes. “Procuro não relevar, não discutir com estes tipos de pessoas preconceituosas que fazem insinuações. Busco sempre me manter de cabeça erguida”.

Relatos como desse bancário são minorias nos bancos. Dados sobre os negros e negras no mercado de trabalho, eles constituem 35,7% da População Economicamente Ativa (PEA), e ocupam apenas 19% dos postos de trabalho no sistema financeiro. Além disso, os negros ganham em média, 64% da remuneração paga aos brancos. A situação é ainda mais grave em se tratando da mulher negra, ainda mais discriminada em postos de trabalho do setor. Em Mato Grosso, de acordo com o Mapa da Diversidade da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) de 2009, 19% dos bancários homens eram negros, e entre as bancárias negras, este índice é menor, 13%.

Entre os casos de preconceito nos bancos, há relato de uma bancária que não quis se identificar, que afirma ter sofrido atos cujas discriminações eram realizadas em razão da sua cor de pele. “Já sofri muito durante a minha carreira como bancária. Há momentos em que temos que viver em constante afirmação para provarmos que o cargo que ocupamos é merecido. Sem falar que quando algo de errado acontece, o negro sempre é o principal suspeito. Hoje as coisas melhoraram, mas já passei por cada uma. Não dá para negar que passamos por mais dificuldades na hora de garantir uma ascensão profissional”, destaca a bancária.

Ousadia

Ir às ruas e suscitar o debate sobre a questão dos negros e negras no Brasil é uma atitude ousada. Esta é a avaliação da secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Deise Recoaro, sobre o dia de luta por mais contratações de negros e negras nos bancos. Ela observa que ações realizadas pelo SEEB-MT e demais sindicatos do Brasil é missão sindical e um ato ousado que deve ser fomentado.

“Cabe ao sindicalista agir por uma sociedade melhor, uma realidade mais justa. O Mapa da Diversidade que apontou dados sobre os negros e negras que trabalham no ramo financeiro nos motivou a agir e levar as ruas a questão dos negros e o preconceito que ainda existe. Os bancos devem agir por inclusão, por mais contratações. Nossa luta e pela diversidade, pela inclusão dos negros, negras, dos portadores de necessidades especiais, por respeitos à todos. Esta questão de igualdade será debatida na mesa de negociação durante a campanha salarial e nossa luta e por mais conquistas”, finaliza.

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